A minha arte é minha forma de me autoafirmar depois de muita inibição e fuga do mundo. É um hábito que tenho devido à necessidade que sinto de dizer quem sou – é o meu mantra e a minha motivação de vida.
Por ter ficado durante muito tempo recluso, utilizo os espaços em branco da tela para tornar minha vida colorida – as alegres, vivas, harmoniosas e intensas cores que uso, incentivam a minha alma a ir por esse caminho também. A arte é a chave que me liberta da prisão sombria em que estava.
Cada arte que eu crio funciona como uma mensagem do meu subconsciente para o meu consciente. Ao me expressar e ao ver o resultado na tela ou no papel, me entendo e organizo meus pensamentos. A arte é o meu divã.
Com a ajuda dos conhecimentos que adquiri sobre a arte, sobre Deus e sobre mim e auxiliado pela inspiração Divina, passo a perceber ou imaginar muitos significados em seu conteúdo. É o meu cicerone, apresentando o meu Eu, livro que escrevo e que me explica sobre mim mesmo ao lê-lo.
Partindo disso, cada obra criada se torna a contraprova do estado da minha alma naquele momento, naquela fase da vida. Assim, a evolução da minha arte reflete a da minha alma. Elas evoluem juntas. A minha arte é meu espelho.
Busco a pintura da sabedoria, do equilíbrio, da cura. Pintando, vou expondo os meus conflitos e me curando. A dor me levou para a arte e a arte me livrou da dor – ela é o meu remédio.
A arte também é essencial por me fazer entrar em contato com meu Deus interior e com os anjos que me inspiram. Assim, vou praticando e desenvolvendo esse dom que Ele me proporcionou. É parte da minha crença, um dom que me religa ao Criador.
Além disso, ela deixa a prova do que vivi e superei sendo, portanto, o meu legado e o meu conselho.
Curador
Fotográfo
Artista Plástico
Artista Plástico
Artista Plástica
Artista Plástica
Curadora e Artista
A pintura de Ricárddo P Pínto tem aspectos muito pessoais.
Destaca-se a construção de uma iconografia baseada em ícones próprios que configuram um universo mental e visual peculiar.
Alguns elementos têm especial relevância, como a capacidade de articular elementos plásticos.
É importante a forma como é trabalhada a cor.
São geralmente tonalidades fortes articuladas de modo a compor painéis marcados pela intensidade.
Linhas e círculos convivem de modo a estabelecer universos peculiares em que a harmonia se faz presente pelo diálogo entre os elementos.
A criatividade na maneira de desenvolver o trabalho aponta para a capacidade de realizar infinitas composições, geralmente dividindo o espaço de maneira quadriculada. Inexiste, porém, repetição de recursos.
A poética se instaura pela diversidade, num movimento interno de exploração de possibilidades visuais.
As maneiras de realizar a composição são regidas pela construção de padrões e desconstrução de expectativas.
A ideia está em surpreender constantemente.
A cada olhar, o novo se faz presente, principalmente pelas manifestações de um repertório que utiliza o espaço como um interminável manifestar de combinações.
(Oscar D’Ambrosio é doutor em Educação, Arte e História da Cultura e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp)